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As Sanjo estão de volta
A Sanjo agora é uma marca que tem sapatilhas de lona e outros segmentos de calçado. Em força voltaram as sapatilhas redondas, com os tornozelos altos, biqueira em borracha e ilhós pretos e vermelhos
A patente das sapatilhas de lona Sanjo foi comprada há cerca de dez anos pelo administrador da Fersado, Paulo Fernandes, em hasta pública. Há cerca de um ano e meio aquela empresa do Prior Velho começou a fabricar as sapatilhas, modelo K100, que antigamente eram usadas para jogar futebol de salão. O administrador da Fersado explicou que “como estão na moda os ténis de lona, há uma tendência para consumir”, e daí a reintrodução no mercado.
O modelo K100 “visualmente é igual”, conforme Paulo Fernandes disse ao labor. No entanto, agora, as Sanjo não são sapatilhas de desporto, mas sim de moda. A gáspea mantém-se igual, mas muda a sola, aproximando esta sapatilha de outras de lona. Outra diferença são as cores, agora estão disponíveis em preto, branco, azul-escuro, turquesa e até algumas estampadas.
Como lembrou Paulo Fernandes, “é muito difícil estabelecer” a data de criação do modelo de sapatilhas de lona Sanjo, inicialmente produzidas na fábrica onde agora é o Museu da Chapelaria. Actualmente, a marca Sanjo é produzida em Portugal, no que toca às peles, no Brasil o calçado infantil e no Extremo Oriente e Índia as sapatilhas de lona.
O labor contactou o Museu de Chapelaria no sentido de apurar a história da marca. A Sanjo terá nascido da secção de borracha vulcanizada da Empresa Industrial de Chapelaria, na década de 40. Nessa altura havia apenas dois modelos, um branco de sola fina para ginástica de solo e o carismático K100. A bota de lona com protecção lateral para os tornozelos tornou-se famosa e imagem de marca das equipas de basquetebol da Associação Desportiva Sanjoanense. De acordo com informação disponibilizada ao labor pelo museu, o declínio da Sanjo iniciou-se na década de 80 com a perda de exportação, que representava 40 por cento da produção. Em 1990 a Sanjo entra em crise e muitos funcionários abandonam os seus postos de trabalho. Em 1997, a marca surge de novo no mercado, com sapatilhas de lona produzidas no estrangeiro.
O futuro da Sanjo
O objectivo de Paulo Fernandes é estabelecer as sapatilhas Sanjo à venda no mercado das lojas de desporto e sapatarias em geral. “Nada de hipermercados nem grandes superfícies”, disse ao labor. A marca já está no mercado há algum tempo e nota-se uma aceitação maior “em zonas onde a Sanjo estaria bem implementada”, referiu o administrador da Fersado. Actualmente, “a Sanjo tem sacos, meias e outro tipo de calçado, sempre na vertente desportiva”, referiu Paulo Fernandes.
Tanto quanto o labor conseguiu apurar, as sapatilhas estão à venda, pelo menos, na Gang of Four, em Coimbra, onde custam 35 euros, e na SportPlace, em Faro. A Gang of Four disponibiliza as sapatilhas em preto com sola branca, ou monocromáticas em branco, azul-escuro ou turquesa. O labor sabe que, em breve, estarão disponíveis os modelos verde com sola branca e preto com sola da mesma cor. A Gang of Four está em contacto com artistas nacionais para customizar algumas Sanjo para enviar para o estrangeiro, para sites/companhias especializadas em sapatilhas que não têm nenhuma marca portuguesa.
Em várias lojas espalhadas pelo país, as Sanjo não estão, para já à venda no estrangeiro. Contudo, Paulo Fernandes aponta uma tentativa de internacionalização para um “futuro próximo”. Nesse mesmo futuro, lá para o Verão de 2010, a marca Sanjo passará a ter sapatos não desportivos, para homem, senhora e criança. Paulo Fernandes referiu-se a “sandálias, botas e sapatos de vela”. O administrador da Fersado apontou para “daqui a três ou quatro anos” a possibilidade de abertura de lojas exclusivas de marca Sanjo.
Por:
Liliana Guimarães
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