Edição de 24-07-2014
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História do Calçado

Arquivo: Edição de 08-01-2009

SECÇÃO: Crónica


HISTÓRIA DO CALÇADO – DÉCADA DE 60 (1960-69)

“ A década em que o Homem chegou à Lua significou para o mundo da moda a entrada numa nova era cujo estandarte foi a mini-saia. As botas de cano alto, os sapatos de cerimónia com laços e os sapatos de verniz marcaram esta época. “

Os anos 50 chegaram ao fim com uma geração de jovens, que vivia no auge da prosperidade financeira.

O jovem, que pela primeira vez pode contar com um rendimento próprio, surge como um consumidor independente dos adultos.

Esta nova entidade social, “os jovens”, vai impor os seus gostos e escolhas sem nunca mais se basear nas preferências dos seus pais.

A nova década, “década prodigiosa”, como foi chamada, prometia grandes mudanças no comportamento, iniciada com o sucesso do rock and roll.

Acima de tudo viveu uma explosão de juventude em todos os aspectos, que influenciada pelas ideias de liberdade, da chamada geração beat, começa a opor-se à sociedade de consumo vigente.

Este movimento, que nos anos 50 vivia fechado nos bares dos EUA, passou a caminhar pelas ruas nos anos 60 influenciando novas mudanças de comportamento, como a contracultura e o pacifismo do final da década. Com este cenário, a transformação da moda iria ser radical.

Era o fim a moda única, que passou a contar com várias propostas e a forma de se vestir tornava-se cada vez mais ligada ao comportamento.

A opção de sapatos é grande: variedade de saltos, peles, cores, sofisticados adornos e formas inovadoras.

Vamos, então, conhecer alguns modelos que marcaram esta época.

Muitos modelos foram criados com o propósito de serem práticos e confortáveis para os pés.

(Devo lembrar que o excesso de feminilidade as mulheres na década de 50, nunca lhes proporcionaram o conforto dos pés.)

No entanto, os modelos mais clássicos nunca perderam o seu lugar. Porém, o serem práticos era um ponto crucial na concepção de novos sapatos.

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No início dos anos 60, ainda prevalecem os saltos altos. Gradualmente isso vai mudando com a entrada dos jovens nesse novo cenário.

Os sapatos tornam-se mais confortáveis, como já referi, os saltos mais grossos ou rasos, os bicos mais largos (redondos ou quadrados) e as cores fortes tomam conta da moda, tais como, laranja, azul-turquesa e verde limão. FIG. 1

(O principal material usado no fabrico do calçado foi o verniz. Tudo combinado com a mini-saia, moda lançada pela inglesa Mary Quant, em 1966.)

Nesta década o sector do calçado vivia uma etapa e forte expansão, tal como muitas outras indústrias.

A concorrência crescente entre marcas, levaram a criar vistosos modelos, estilizados, com cores alegres e decorações exageradas, que ofereciam à mulher um leque variado que tornava difícil a escolha.

No entanto, houve modelos mais simples que marcaram a moda, como o caso da “ballerina”, sapato baixo de bico arredondado, difundido pela actriz e modelo Audrey Hepburn. FIG. 2

Com a ascensão da NASA, os looks espaciais chegam ao vestuário e os sapatos adoptam materiais “futuristas”.

O plástico, vinil e metal moldam os pés.

Com o preço do couro em alta, os materiais sintéticos são cada vez mais utilizados. Vivier, Levine e Miller foram os pioneiros, na história do calçado, pela utilização de material plástico transparente.

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Ao mesmo tempo, a rebeldia dos anos 60 faz ressurgir as botas, tal como no início do século.

Em 1964, as botas brancas de André Courrèges, com a sua visão futurista, de estilo intergalático, com desenhos geométricos, em texturas e cores contrastantes e o uso de novos materiais sintéticos marcaram a época. FIG. 3

Aproveito este artigo para dar a conhecer André Courrèges.

Para tal, vou usar um texto que encontrei no livro Sapatos de Linda O´Keeffe.

“André Courrèges, cognominado o “Corbusier da alta-moda parisiense” pela Women’s Wear Daily, estudou engenharia e corte com o grande costureiro espanhol Balenciaga.

Para a sua colecção do Outono de 64, valeu-se da formação recebida nestes dois campos.

A colecção apresentava mini vestidos que iam alargando do peito para baixo... Mas mais revolucionário ainda era o calçado: botas até à barriga da perna feitas de plástico e ornamentadas apenas com uma fenda recortada no cimo do cano.

Passando rapidamente da passerelle para as pistas de dança, a bota “Go-go” lançou uma alta-costura futurista e espacial que assinalou o final de um mundo da moda comandado por um punhado de costureiros parisienses.

As botas tornaram-se o calçado mais vendido da década e começaram a surgir em todas as formas e feitios. Eram usadas com minissaias, para realçar as pernas recentemente libertadas dos tecidos que as escondiam, e com calças, que cada vez mais mulheres usavam como símbolo de liberdade.

Courrèges foi tão imitado que fechou o seu atelier em 1965, durante um breve período.

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Embora tenha voltado à actividade dois anos mais tarde, nenhum dos modelos que lançou a partir daí chegou alguma vez a alcançar o êxito das suas pequenas botas brancas.” FIG. 4

Vejamos outros modelos que marcaram esta década

E, já que estou a escrever sobre botas, devo referir que os adolescentes rebeldes ingleses adaptaram, no início dos anos 60, as botas Dr. Martens (também conhecidas como Doc Martens), que eram normalmente usadas pelas classes trabalhadoras, deliciando-se com o seu aspecto agressivo e com as suas volumosas solas.

Outro tipo de botas que renasceram nos anos 60, foram os botins com elástico e ficaram conhecidas como “botas à Beatles”, porque os 4 cabeludos usavam-nas com os seus fatos à Neru.

Outros sapatos que se tornaram coqueluche nesta década foram os sapatos “Vara” e “Peregrino”.

Combinavam o conforto com uma aparência sofisticada.

O “peregrino” tornou-se um dos sapatos mais copiados de sempre, depois da sua primeira aparição na colecção de 1962 de Yves Saint-Laurent.

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No sapato da direita da foto que se segue, Vivier arredondou os cantos da famosa fivela quadrada. FIG. 5

Nos anos 60 as sandálias voltaram a ser rasas e pouco sofisticadas.

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É nesta década que surgem as práticas sandálias Birkenstock ortopédicas. Largas, com o solado de cortiça, criado no final do século 19 pelo sapateiro Konrad Birkenstock, conquistaram os pezinhos e pezões mais exigentes. FIG. 6

Outra sandália que apareceu nesta época foi a Havaiana, que rapidamente conquistou um sucesso entre os brasileiros. FIG. 7

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Outro acontecimento que marcou esta década, foi a transferência da moda de Paris para Londres.

Para terminar este artigo, vou escrever sobre os estilistas que marcaram esta época.

Além de Vivier, Ferragamo, Evins, etc. sobre os quais já escrevi em artigos anteriores, devo referir os seguintes:

- JAN JANSEN – “Sapateiro louco”, como se qualifica, abriu em Amesterdão, em 1964, uma pequena oficina de sapatos artesanais. O êxito não se fez esperar e, 3 anos depois, recebeu em Haia o primeiro reconhecimento o seu trabalho, o E.M.S. Culture Prize na área do estilismo.

Em 1968, abriu a sua primeira loja que baptizou com o nome Ja Ja, na Runstraat de Amesterdão, dedicada à venda de edições limitadas dos seus sapatos manufacturados.

- ANDREA PFISTER – estilista italiano, em 1962, conseguiu o seu primeiro prémio no Concurso Internacional de Design, realizado em Amesterdão. Logo, diversas casas de moda interessaram-se por ele e começou a trabalhar como estilista de calçado.

O êxito não deixou de acompanhá-lo e, em 1963, instalou-se em Paris, onde se encarregou da criação de calçado que fazia parte das colecções de alta-costura de Lanvin e Jean Patou.

As coloridas, elegantes e divertidas criações de Pfister conseguiram, ao longo do tempo, o maior reconhecimento internacional.

No próximo artigo, vou escrever sobre os anos 70.

Até lá, boa leitura.

Bibliografia:

Sapatos de Colecção, Planeta d’Agostini

Sapatos, Linda O´Keeffe

Sites:

http://sobresaltos.wordpress.com/2008/05/30/sapatos-e-os-anos-60

www.museuvc.com

http://cepeca.org.br/oficinadeideias/moderna/hisroriadamoda.html

www.leschaussuresfemmes.com

www.portugalprotocolo.com

www.dicasdemoda.com

Por: Jorge Ribeiro

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